Monday, September 07, 2009

POTENCIALIZAÇÃO

Domingo cedo, na fila pra ver Francis Hime, uma conversa me instigou a pensar.
Como a música, as artes plásticas, o cinema, os quadrinhos, a literatura, a filosofia faz da minha vida algo bastante especial. Acho que tudo isso potencializa a nossa experiência aqui na terra.
Creio que vivo elevado a dez, cem vezes, se comparado com muita gente por aí.
Me considero uma pessoa de sorte.

Monday, August 17, 2009

OKURIBITO



A PARTIDA é um filme que fala sobre temas que assolam bastante a nossa existência nesse mundo.

Primeiro fala de profissão. Você já se perguntou sobre o trabalho da sua vida? Se você deve ter mais de 20 anos e não nasceu em berço de ouro provavelmente já.
Infelizmente não é todo mundo que consegue a dádiva de encontrar o ofício que provoca uma realização a tal ponto que fica difícil fazer outra coisa. Muita gente nem sabe o que é isso. Portanto assistam o filme e pelo menos descubram como o trabalho pode dar sim um sentido pra vida.


Depois fala de morte.
E sobre a dignificação final depois de tantas batalhas e suspiros.
Sobre nossa tentativa de alcançar a beleza infindável da eternidade.
Enfim. não dá pra descrever em palavras.
Mas acontece o que raramente se vê em outros filmes.
Aquele momento em que você sobe alto, raspa as pontas do dedo no céu e o sentimento transborda dos seus olhos porque não cabem mais dentro de ti.

É um filme denso. Exige fôlego. É como atravessar um rio.
Você sai outra pessoa.

Saturday, August 15, 2009

MAIS RASCUNHOS






Anna e Ícaro são personagens bem óbvios.

Friday, August 14, 2009

SKYPE

[15:34:02] Ricardo: todo fim é uma oportunidade para recomeçar
[15:35:46] Mateus Lima: todo começo é uma chance de terminar
[15:36:02] Ricardo: toda oportunidade é um recomeço para finalizar
[15:36:35] Santiago: Toda é um finalizar começo de oportunidade ... e bla bla bla ..
[15:36:45] Ricardo: toda chance é uma recomeço de oportunizar
[15:37:23] Mateus Lima: todo ricardo é um novo mateus de santiagar
[15:37:28] Ricardo: todo começo é uma oportunidade de vencer a indianápolis
[15:38:04] Ricardo: todo marcos é uma oportunidade de lerar
[15:38:11] Santiago: Mana nana thuthuruthuru ... Mana nana thuthuruthuru ... mana na nana mana ..
[15:38:36] Ricardo: todo latino é uma oportunidade de festa no apê
[15:39:26] Mateus Lima: todo ferris bueller é uma chance de twist and shout
[15:40:44] Ricardo: todo ronaldo é uma chance de brilhar muito no corintians
[15:40:58] Santiago: Todo cavaleiros de pegasus é uma oportunidade de armadura de sagitario ..
[15:42:02] Ricardo: todo haduken é uma chance de shoryunken

Tuesday, August 11, 2009

Rascunhos Icariannos






Esboços de personagens que aparecerão muito.

livro dos dias

do livro dos medos:

é o medo de derreter a cera que me prende as penas. é o medo de cair sem fim-de-semana. é o medo coletivo de jamais ser entendido.


do livro das felicidades:


felicidade é poder tocar a alma das pessoas com arpejos

felicidade é ler um livro escrito só pra mim.

Sunday, August 09, 2009

Caio Fernando Abreu

"O bocejo era a compreensão mais amarga que conseguia de si mesmo. E posto isso, cabia a seguir qualquer atitude desesperada como casar, tentar o suicídio, fazer psicoterapia ou um concurso para o Banco do Brasil."

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças



O cenário do cinema comercial mundial, atualmente, está repleto de filmes onde podemos encontrar efeitos visuais mirabolantes, onde se usa e abusa das mais avançadas técnicas digitais para justamente mostrar essa evolução incrível por qual está passando a sétima arte na era da informática. Assim como aconteceu na época em que surgiu o som e as cores na indústria cinematográfica onde os filmes eram exageradamente coloridos e musicados ao extremo, o cinema passa por mais um período de demonstração de um novo divisor.
E é fácil notar nessa exibição exacerbada que todos os limites foram quebrados, transformando o que antes era inimaginável em algo simples de se fazer com a ajuda dos computadores. Tudo se tornou possível e não houve desperdícios com essa grande descoberta. Filmes com a destruição total do planeta Terra são incontáveis, e das mais variadas maneiras nas quais, infelizmente, a imaginação não foi muito longe. Porém, foram o suficiente para mostrar toda a capacidade dos novos truques desenvolvidos.
Ondas gigantescas, meteoros impiedosos, monstros ferozes, extraterrestres cruéis e anomalias inúmeras, tudo comprovando perfeitamente a eficácia do que essa evolução pode construir ou destruir. Sem falar dos mundos mágicos, batalhas épicas grandiosas, super-heróis fantásticos e as milhares de animações tridimensionais que surgiram nesses últimos anos. E o público correspondeu à altura, com uma empolgação de lotar os cinemas e quebrar recordes de bilheteria. Assim, a nova moda pegou e se alastrou por todo circuito.
Entretanto, no meio dessa provável solução de todos os problemas, surge um empecilho perigoso: as películas tornam-se apenas um show de possibilidades que os efeitos especiais podem gerar e o roteiro que deveria existir ali acaba sendo deixado de lado. Ou seja, conseguem criar uma catástrofe megalomaníaca repleta de eventos impossíveis, mas são incapazes de contextualizar esse acontecimento em uma boa história. É claro que tudo isso se falando no geral, com suas devidas exceções, e sem querer tirar o prestígio dos novos recursos que surgiram. O grande problema é essa negligência total que anda ocorrendo constantemente na maioria dos filmes em cartaz.
E é nesse momento que entra “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” (“Eternal Sunshine of the Spotless Mind” no original) com seus geniais idealizadores, Michel Gondry e Charlie Kaufman, indo praticamente em direção oposta à essa corrente. O filme é de 2004, nem tão atual, mas para se ter uma idéia foi o ano em que “Senhor dos Anéis - o Rertorno do Rei” arrebatou 11 Oscar e no qual “Homem Aranha 2” e todo seu sucesso invadiam os cinemas brasileiros.
Porém, em 2005, ano em que “Brilho Eterno” foi o vencedor do Oscar de melhor roteiro original, as premiações foram para filmes que não se utilizaram tanto dos efeitos especiais, como “Menina de Ouro”, por exemplo. Mas há um diferencial específico no trabalho de Gondry e Kaufman que o faz um ponto de brilho particular em meio à tanto carvão.
Em primeiro lugar, vale lembrar o porquê de ressaltar tanto o nome do diretor quanto o do roteirista na hora de creditar o filme. Estamos falando de duas mentes extremamente criativas que, mesmo trabalhando individualmente, proporcionaram várias obras primas no mundo da arte audiovisual.
Começando por Charlie Kaufman, um dos roteiristas mais originais que surgiu ultimamente em Hollywood. Pra quem já tinha perdido as esperanças com tantos remakes e mais do mesmo que se têm visto pelas telonas, Kaufman mostra que é possível se criar coisas novas e surpreendentes mesmo com tantas histórias já inventadas. Além de tudo ele parte quase sempre de uma premissa bastante simples e desenvolve algo que muita gente considera maluquice pura, viagem desvairada e que é de fato absurdamente inusitado. Como por exemplo, em seu filme de estréia “Quero ser John Malkovich” (“Being John Malkovich”) onde a idéia do títere é levada a um ponto totalmente insano, em que a mente do astro John Malkovich, representada por uma pequena sala, pode ser invadida e até mesmo controlada dependendo da evolução de quem a visita. Há também sempre presente em seus roteiros uma reflexão maior sobre a própria condição humana. Seus trabalhos mostram como o ser humano poder ser muito mais complexo e interessante do que se é representado em grande parte dos filmes. Consequentemente à tudo isso, seus roteiros acabam por ganhar características muito marcantes e sua assinatura permeia claramente em qualquer um de seus trabalhos. E isso coloca novamente em questão a discussão sobre a autoria de um filme. Como quase sempre os créditos são dados ao diretor, quando os roteiristas se sobressaem essa dúvida acaba surgindo e apavorando os mais tradicionais e sistemáticos. Mas como o próprio Kaufman diz, acima de tudo “o cinema é fruto de um enorme trabalho de colaboração”.
E em “Brilho Eterno” sua colaboração foi com o diretor Michel Gondry, outro gênio da indústria cinematográfica e que possui uma afinação espatnosa com as idéias de Kaufman. Se é preciso ter uma boa parceria pra se resultar um bom filme, podemos dizer que eles formam o casamento perfeito. Lembrando que “Natureza Quase Humana” (Human Nature) foi o primeiro trabalho da dupla em 2001, e que já demonstrava os bons frutos que se poderia obter dessa poderosa combinação.
Gondry é um cineasta francês que também não surgiu do nada. Teve antes de Human Nature (seu primeiro longa), alguns curtas, comerciais televisivos e uma vasta lista de vídeo clipes em seu currículo. E é nessa área musical que ele se destacou mais anteriormente, onde começou com a produção dos clipes de sua própria banda e sucessivamente com outros grandes artistas da música. São mais de 80 no total, e essa imensa quantidade não influenciando em nada na qualidade dos resultados, pois cada um é mais surpreendente que o outro. A criatividade sem limites do diretor rendeu tantas obras fantásticas que fica difícil dizer sobre alguma em particular. Podemos citar apenas como exemplos rápidos “Les Cailloux” de sua banda Oui Oui, “La Tour de Pise” de Jean François Coen, “Sugar Water” de Cibo Matto, “Human Behaviour” da Björk, “Let Forever Be” e “Star Guitar” do The Chemical Brothers, “The Denial Twist” e “Fell in Love with a Girl” do White Stripes, enfim, como já dito uma infinidade que não caberia aqui mas que vale a pena conferir. Importante ressaltar que nesses clipes já se pode ver características de Gondry que o acompanharão em todos os seus trabalhos. Primeiramente pelas suas trucagens de câmeras e seus efeitos especiais “artesanais” que são feitos quase sempre na hora da filmagem sobrando pouquíssimos detalhes a serem feitos na pós-produção. O que é justamente um dos maiores pontos a ser levantado na comparação com os efeitos visuais digitais utilizados hoje. Outro item a ser observado é a capacidade de se obter algo incrivelmente genial de caminhos extremamente simples. Nisso podemos fazer uma relação direta com Kaufman, e concluir esse alinhamento de mentes aparentemente tão caóticas. E Gondry não poderia ser mais esperto em trabalhar com vídeo clipes, pois é nesse ramo que surgem as poucas oportunidades de se experimentar sem limites e mesmo assim se ter uma divulgação e aceitação comercial razoáveis. Principalmente porque, no clipe musical, o primeiro plano vai ser sempre a música e o visual algo somente para complementação. Assim o espetacular diretor pôde se fartar empiricamente até começar a produzir em outros ares com toda essa influência, que podemos notar claramente em “A Ciência do Sono” ("La Science des Rêves") de 2006.
Portanto, quando “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” foi feito, tanto Kaufman quanto Gondry já possuíam algum prestígio. E sem dúvidas, já geravam expectativas enormes. Em 2004, quando o filme foi lançado, houve uma boa aceitação do público e da crítica. Arrecadou cerca de 72 milhões, o que é considerado bom para um filme que custou 20 milhões para ser realizado. Muitos o nomearam como o filme do ano na época. Estrelado por grandes astros como Jim Carrey, Kate Winslet, Kirsten Dunst, Elijah Wood, Mark Ruffalo e Tom Wilkinson a película tem um enredo de certa forma complicado para se representar apenas em uma singela sinopse. A história é basicamente sobre um casal, Joel e Clementine (representados respectivamente por Jim Carrey e Kate Winslet), aparentemente normal, que acaba por se encontrar numa série de desentendimentos culminando naturalmente no rompimento do relacionamento. Clementine, de personalidade impulsiva recorre à uma empresa chamada “Lacuna Corp” que trata de apagar as memórias indesejadas de qualquer indivíduo que sinta essa necessidade. Assim ela exclui Joel de todas as suas lembranças, anulando completamente a existência dele em sua vida. Ao descobrir o ocorrido, Joel vai imediatamente à procura da Lacuna Corp para fazer o mesmo, ou seja, apagar Clementine da sua cabeça. Porém, no meio do processo, ele se arrepende e resolve cancelar o pedido, mas infelizmente seu inconsciente não é ouvido pelos que estão trabalhando na ”operação”. E é nesse plano de fundo que se passa a maior parte do filme. Joel tenta desesperadamente manter Clementine em sua memória viajando entre fragmentos de suas lembranças que vão gradativamente desaparecendo conforme os empregados da Lacuna Corp vão executando o serviço.
Por mais surreal que seja a idéia, o filme ainda pode não parecer tão incrível à primeira vista. Mas é também na maneira em que a história é contada que podemos enxergar ótimas sacadas e um resultado fascinante.
Começando já da primeira cena, na qual vemos Joel em momentos de sua rotina diária, aparentemente comum. Ele acorda, sai para ir ao trabalho, encontra seu carro amassado e fica, obviamente, enfurecido mas sua reação é apenas colocar um bilhete de “obrigado” no retrovisor do carro vizinho. Aí já é possível perceber traços da personalidade do personagem. Logo após, Joel vai pegar o metrô e, em uma narração em off, ele diz que é dia dos namorados e que é uma data inventada pelos fabricantes de cartões comemorativos para fazer as pessoas se sentirem como lixo. Diz que não foi trabalhar. De repente ele começa a correr e vai pegar um trem para Montauk sem saber porquê. Nesse trem e em toda as cenas seguintes ele vê Clementine, que no momento para ele é uma desconhecida e fica apenas cogitando uma possibilidade de romance entre os dois. Podemos assim ver em Joel a timidez e a cautela que vai se opor à personalidade de Clementine, que é impulsiva e comunicativa. Ela logo toma iniciativa e se apresenta à Joel. Outra característica que revela sua personalidade é seu cabelo pintado de azul. Assim, a trama vai se desenrolando e facilmente somos enganados, acreditando que o que virá na seqüência é o desenvolvimento desse relacionamento em uma ordem cronológica e bastante lógica. Porém o filme corta e só então, depois de 18 minutos, aparece o título. A partir daí, novamente Joel aparece, porém se nota que se está em outro período da história do personagem. Um de seus vizinhos, ao ouvir ele reclamar sobre só receber cartões da mãe, comenta algo sobre Clementine, deixando Joel confuso como se não soubesse do que se trata. Logo depois, Joel aparece reclamando de algo que Clementine fez à ele, ele fala sobre como ela fingiu que nem o conhecia. Percebemos assim que a cronologia do filme foi alterada. O andamento dos acontecimentos está sendo exposto de maneira diferente, porém não é claro se está indo ao contrário, ou em que parte da história cada coisa se encaixa. É nesse momento em que Joel descobre sobre o procedimento que Clementine recorreu. Assim, a medida em que o filme vai se passando tudo vai se esclarecendo até chegar o ponto em que entramos dentro da mente de Joel, em seu processo de “desmemorização”. Paralelamente outros acontecimentos vão se desenrolando, no cenário onde os funcionários da Lacuna estão executando o trabalho. Dessa maneira o filme se divide em dois andamentos. Dentro da mente de Joel, o processo acontece das memórias mais recentes para as mais antigas. Então vemos os fatos em ordem inversa. Já no mundo “real” as coisas são mostradas na seqüência normal, ou seja, no tempo progressivo. Algo bacana pra se notar nessa confusão temporal, é que as cores do cabelo de Clementine acabam por servir de guia, e se tornam pontos importantíssimos para se montar o quebra-cabeça final.
No inconsciente de Joel, vemos os personagens vivendo momentos que ocorreram na realidade, entretanto naquele contexto são apenas lembranças, o que torna tudo apenas fruto da atividade cerebral de Joel. E é impressionante como Gondry e Kaufman conseguem representar essa viagem pelos túneis da memória de maneira tão próxima ao que sentimos. Revisitando suas recordações, Joel presencia novamente tantos os momentos bons quanto os momentos ruins de sua vida com Clementine. E ele se vê na tentativa de querer mudar algo que não pode ser mudado. Nessas cenas, o personagem sussurra coisas que ele queria ter dito na hora, mas não disse e assiste aos tempos de alegria como se fossem sonhos belíssimos. Quando ele se sente arrependido da decisão de excluir Clementine de sua história, inicia-se uma corrida contra o inevitável. As imagens vão se deteriorando, se distorcendo e se confundindo na mente de Joel. Aí entram muitos dos efeitos e artifícios de Michel Gondry. Como já dito, o diretor possuí uma marca registrada que é as brincadeiras que ele faz com os jogos de câmeras. Muitas montagens que lembram o início do cinema, com Melliés e os próprios irmãos Lumiére. Há uma cena, por exemplo, em que Gondry simplesmente roda a cena ao contrário. Em outra, ele utiliza a perspectiva falsa para causar o efeito do quarto de Ames, onde Jim Carrey aparece menor em relação a Kate Winslet que está na mesma cena. Assim o efeito surge mas sem depender da pós-produção, tudo é feito ali na hora, como outros muitos efeitos utilizados no filme e em outros trabalhos do diretor. Isso pode ser tornar uma grande vantagem pros atores, já que eles tem a possibilidade de presenciar tudo o que vai acontecer, sem espaços vazios a serem completados após a filmagem. Dessa maneira é mais fácil para se ter uma noção do que se passa e assimilar o que determinada cena quer transmitir. Além de tudo, essa técnica proporciona um charme especial, uma certa magia que fascina o telespectador mesmo sem ele perceber. Algo que a tecnologia ainda não conseguiu atingir. Pois a maioria das pessoas ao ver um efeito especial logo decodifica aquilo e diz “Ah, é computação gráfica!” e assim como o truque desvendado de um ilusionista, a coisa vai perdendo a graça. Isso não acontece nas montagens de Gondry porque ele jamais tenta deixar tudo muito perfeito e não faz questão nenhuma de esconder que aquilo foi construído e que não é real, impossibilitando qualquer um de confundir suas peripécias com algo gerado por um computador.
As cenas mais memoráveis dentro do cérebro de Joel são as quais ele tenta levar Clementine para pontos de suas lembranças em que ela não estava presente. Momentos em que eles ainda não se conheciam, momentos em que ele ainda era apenas uma criança metida nas mais constrangedoras situações. Nesse ponto, na trama paralela em que ocorre à volta do processo na realidade, os sistemas começam a reagir contra os atos realizados no incosciente de Joel. O personagem representado por Tom Wilkinson, Dr. Howard Mierzwiak, chega para resolver o problema e nesse entremeio Mary (Kirsten Dunt), a secretária da Lacuna, recita o trecho do poema de Alexander Pope que dá o título ao filme.
Já no desfecho, Joel se encontra em sua última lembrança de Clementine a ser apagada, que se refere ao primeiro encontro dos dois. Tudo é mostrado como foi mas ao mesmo tempo a casa onde eles estão começa a desabar indicando o fim de tudo. No último momento Clementine sussurra para Joel a encontrar em Montauk, aconteça o que acontecer.
A cena é cortada para Joel despertando, e logo notamos que voltamos ao início do filme. Dessa maneira tudo vai se encaixando e o que pensamos ser o começo na verdade é o final da trama. Genial a maneira como a edição permite imaginarmos como Joel se sentia naquele momento, pois por mais que saibamos tudo o que aconteceu conseguimos lembrar da primeira vez que vimos a cena, na qual também não sabíamos dos acontecimentos entre os personagens. Portanto, pelo fato de terem nos enganado fazendo acreditar que o começo do filme era o fim, eles conseguem passar o engano em que os personagens estavam vivendo naquele momento. Um último salto é dado, para a parte que antecede o surgimento do título no início. Clementine volta de sua casa para o carro de Joel com uma fita gravada relacionada à Lacuna Corp. Mary, ao descobrir que também havia passado pelo processo da Lacuna, resolvera enviar todas as fitas aos seus respectivos donos. No meio do caminho entre a casa de Clementine e Joel, eles vão ouvindo a fita na qual ela descarrega todos os seus desapontamentos em relação à ele. Furioso ele manda ela ir embora, mas chegando em casa ele também se depara com uma fita. Ouvindo atentamente, ele vai montando em sua cabeça o ocorrido.
A última cena mostra Joel e Clementine, após tomarem consciência do que passaram, se conciliando e retomando algo que, mesmo com todas as disparidades, estão dispostos a enfrentar novamente.
Podemos dizer que é uma história de amor, o que é a base de uma maioria imensa de filmes já lançados. Mas acima de tudo, “Brilho Eterno” trata também da fragilidade do ser humano, dessa relação que existe com a memória e do desejo que se tem de apagar algumas lembranças e viver eternamente em outras. O filme mostra por fim, que toda nossa memória, por mais amarga que seja em alguns pontos, deve permanecer pois nada é mais triste que se esquecer o que foi vivido.




UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – ESCOLA DE BELAS ARTES
Disciplina Autores e Estilos
Professora Ana Lúcia Andrade
Aluno Ricardo Yoshio Okama Tokumoto
13/06/2008

Friday, August 07, 2009

Pontos e Quebras de Linha

e essa dor no peito. que eu não sei se vem do coração. que eu não sei se significa que eu estou ficando velho ou se é dor adolescente de paixão.